12 Agosto, 2009




nãomeabandonabrasil!



(aquela fotinho queima-filme pra acabar)

11 Agosto, 2009

Tô de mudança.


Acho que vou desativar esse blog. Ou abandonar de vez. Mas acalmem-se, meus fãs (imaginários): farei outro.
É estranho quando uma coisa que você fez acaba sendo vítima da auto-crítica (ainda tem hífen? Estudante de letras que não sabe as regras do novo acordo, oi?) . Eu quase odeio algumas coisas registradas aqui.

Eu não quero, daqui a uns anos, achar idiota o que escrevi ou pensava em 2009. Prefiro enxergar evolução.
Mas essa velharia já tem uns 3 anos e é preciso inovar, né Brasil?
Pro próximo blog pretendo colocar algumas coisas que constam nesse, mas será algo mais cuidadoso. Mais selecionado. Sem posts daquele tipo "só pra atualizar", e sem manifestos pessoais explícitos.
Essa budeguinha me ajudou, é verdade. Acho que meus textos atuais têm coerência, e principalmente, um propósito. Coisa que claramente não existia nos mais antigos, sem foco e com parágrafos desconexos.
O fato é: quero uma página na internet que perca um pouco o caráter de diário virtual, de muro das lamentações pessoais. É claro que vão rolar piadinhas e sacadas infames, dos dias que eu acordo com o Bozo e como Palhacitos, mas isso torna sempre as coisas mais leves, afinal.

Bom, é isso companheiros e companheiras. Em breve tem endereço novo. mimimimimi

31 Julho, 2009

Onde eu me inscrevo?

http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=7126

28 Julho, 2009

de onde vem a calma.

Engraçado como tem coisas que pedem descrição. Ou vai ver que eu uso isso como desculpa mesmo, pra começar a escrever. Hoje na hora do almoço eu tinha uns trinta minutos livres e saí pra andar um pouco, conhecer as ruas ao redor. Embora não tenha encontrado nada que me prendesse a atenção (nos comércios), foi bom sentir o cheiro da rua – ainda que a rua cheire sempre a uma cidade que não pára. Veja só onde é que eu fui tentar acalmar a minha cabeça.


Reparei que algumas árvores não se contentam com o espaço que lhes é dado, e com muita razão: cimento nunca foi chão adequado pra árvore. Então elas fecham as mãos, aquelas raízes que parecem mãos forçando o obstáculo urbano e formando relevos pela calçada. Mostrando que não estão nem aí pra frente toda cheia de vidros e brilhos e rotina plástica dos prédios comerciais. Ainda bem. Ainda bem que pelo menos as árvores têm coragem de expressar esses gritos de insatisfação.


O dia é um daqueles que você pode andar só de camiseta ou com um casaco, que não vai se sentir incomodado por algum exagero climático. O céu, uniforme. De uma cor que não chega a ser cinza, mas que vai dormir ensaiando um azul tímido, tenho certeza. Já reparou como venta nesses dias e o chão fica cheio de minifolhinhas? O mais engraçado é elas não se contentarem em colorir o chão e decidirem se acomodar então, no cabelo de algumas pessoas.


Às vezes eu me limito a olhar pela janela aqui do prédio, sem ir à rua. Hoje eu teria feito isso mais uma vez, já que não tinha o consolo de pensar que “pelo menos está um dia bonito de sol”. Mas sabe, é bem melhor descer e ver que o dia está lindo sim, porque afinal nossos olhos e nosso corpo podem captar tudo ao redor, e tudo é tanta coisa e tanta gente tentando viver, que se eu disser não haver nada interessante dentro de mim e fora daqui é quase blasfêmia.


O meu coração ficou leve, porque eu quis pensar em coisas que o fizessem ficar, e porque eu não pensei em todas as outras que “ainda vão dar certo” ou que “eu ainda tenho que terminar”. Eu não pensei em planos. Nem em ontens.


Eu queria te passar essa calma, ainda que ela provavelmente seja passageira. Queria te passar a força que tanto falam pra eu te dar e que eu ainda não sei onde comprar. Queria te proporcionar um daqueles momentos em que a gente tem certeza do que é felicidade. Mas eu não sou suficiente.


Eu pensei então em dizer que te amo, te comprar umas flores e jogar umas minifolhas no seu cabelo.

09 Julho, 2009

Querido Victor,

Como você está? Espero que bem. Recebi os cartões-postais que você me enviou, são de fato lugares muito bonitos. Mas confesso que estou preocupada por não receber cartas com notícias reais suas, e os cartões são de, no mínimo, um mês atrás. Desculpe se ultimamente ando rabugenta neste sentido, mas é que as pessoas colocam coisas na minha cabeça, dizem que você não está nem aí e que não volta. Eu não acredito nelas e sei que tudo deve estar muito corrido por aí, ou que você está meio sumido por motivos muito fortes. Bom, vamos esquecer isso, está bem?

Hoje lá no orfanato uma das crianças me perguntou coisas que não condizem com a idade dela. Mais tarde pensei que na verdade, não condizem é com a minha, pois eu corei enquanto a garotinha desinibida esperava resposta. Preciso me atualizar. As matérias dominadas pelos pequenos aumentaram. Às vezes penso que lidaria melhor com eles se tivesse um filho. Quero dizer, no passado, é claro. Mas logo percebo que a experiência com os órfãos me acrescenta até mais do que teria com um filho apenas. Foi mesmo ótima esta idéia de assumir a direção do orfanato. Algumas crianças (as mais grandinhas) perguntam por você e sentem sua falta. Eu as distraio e aproveito pra fazer o mesmo por mim.

Já reparou como cheiros lembram pessoas e coisas? Ontem eu e a Nilza fizemos um bolo de laranja e quando o forno foi aberto lembrei de cenas que não me ocorriam há muito: minha mãe vestindo suas luvinhas coloridas depois de tomar o chá da tarde com bolo... Ela tinha verdadeira mania por luvas. Lembrei também da vizinha moça que eu imitava quando pequena, toda educada e suave, andando sempre na ponta dos pés. Eram tardes com o mesmo cheiro de bolo me esperando no forno, enquanto eu me perdia nos detalhes. Ainda hoje é assim.

Bem, conforme combinamos, escrevi "o que sai do coração", como você diz.
Espero ansiosamente suas cartas.

Com carinho,
Branca.

03 Julho, 2009

Dona Pia


Podem existir outras Piedades por aí, mas nunca vai haver uma igual a minha avó Piedade. Dona Pia é, sem sombra e possibilidade de dúvidas, a pessoa mais doce que eu já conheci. É mulher daquele tipo que se multiplica: boa mãe, boa esposa, boa avó, boa vizinha e, acreditem, boa sogra!

Sua casa é o lugar que eu vou pra me sentir bem o tempo todo. Pra ouví-la contando dos exercícios na hidroginástica e no Tai Chi-Yoga, ou dos passeios sempre cômicos com as minhas tias. Nem todas as conversas são sobre o dia-a-dia modernérrimo dela. Há também as lembranças de um tempo que, ao meu ver, era menos artificial e até menos vazio. Tempo em que ela distraía o menor dos filhos com panos coloridos, pra poder dar conta da casa, do meu avô e de tudo mais. Até as crianças nessa época eram mais inocentes, mais fáceis de lidar.

Enquanto conversamos são colocados na mesa pães, biscoitos, leite, quem sabe um bolo. O que há de melhor nos armários, sempre. Isso quando ela não compra goiabas, porque sabe que eu adoro.

Não bastasse tudo isso, ainda faz o papel de vovó clássica: óculos apoiados no nariz, e vamos bordar! As toalhas pra família toda, com as letras coloridas e tortinhas mais lindas do mundo.

Na hora de ir embora, depois do "tá cedo, minha filha", ela pega uns trocados debaixo da latinha de arroz da prateleira, não importa quantas vezes eu recuse. Ouço como resposta um "compra uns doces pra você e pro seu irmão", sussurrado.

Daí eu afundo a cara no abraço quente e com cheiro de flor dela, e o dia se desenrola melhor.

20 Junho, 2009

Querido Victor,

Hoje o dia está gelado, branco daquela brancura própria dos invernos rigorosos: aqueles que parecem o patrão nervoso soprando palavras ásperas e enchendo d’água nossos olhos. Apesar do clima, venci a preguiça e fui caminhar num parque recém inaugurado aqui perto de casa, tem um ótimo espaço pra caminhadas. Muitas pessoas correm lá também. Sabe, eu voltei cedo... Eu me senti meio ridícula perto daquela gente tão disposta, de pele viçosa, querendo desesperadamente viver. Estou com sardas no peito e um pouquinho no pescoço (digo sardas, mas acho que são manchas de velhice)... Ah, Victor, estou ficando velha, e sozinha esse processo parece ainda mais complicado.
Adotei um gatinho recentemente, seu nome é Nescau e ele, à sua maneira de gato, me faz companhia. Sabe, é estranho achar isso e te dizer também, mas às vezes ele parece mais inteligente que eu e até que qualquer ser humano. Nunca vi bicho com um olhar tão intenso, tão absorto, tão capaz de ver coisas que nós parecemos não ver. Eu nunca entendi essa estranheza no olhar dos gatos.
Olha só, até agora só te bombardeei com minhas idéias malucas. É que faltam assuntos sem você aqui. Bom, vou parar com os lamentos e fazer um chá pra me aquecer, que o Nescau está enrolado no meu cobertor.
Volte logo e não se esqueça de me avisar a data e o horário, eu te encontro na estação.

Com carinho,
Branca.

11 Junho, 2009



Vai um teco?

22 Maio, 2009

Nota importantíssima: não tomar chá de camomila antes de ir pra faculdade, se tiver que ler o Sermão da Sexagésima no trem (tarefa que exige mente ligada e não tolera a malemolência e sono que causam um chazinho e o balançar do veículo).

14 Abril, 2009

Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa:
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser papa.

A flor baixa, se inculca por tulipa:
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo; porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

Gregório de Matos. \o/

das coisas esquecidas.